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Liga de Amadores Brasileiros de Rádio Emissão

 

BEM-VINDO A NOVA LABRE-RJ

 

O RADIOAMADORISMO

Apresentação:

O radioamadorismo é um serviço de comunicação mundial exercido por pessoas físicas entusiastas da comunicação por rádio. O radioamadorismo é uma atividade praticada por pessoas de todas as idades, classes sociais, raças, profissões, religiões, etc. Seu início data desde os primórdios do rádio, e hoje são cerca de 4 milhões de radioamadores em todo o mundo, com destaque para países desenvolvidos como, por exemplo, EUA (679.000) e Japão (1,296 milhões). No Brasil são cerca de trinta e dois mil radioamadores, ocupando a 11º colocação no mundo em quantidade.

 

Reconhecimento internacional:

O serviço de radioamador é reconhecido pela a União Internacional das Telecomunicações (UIT/ITU)1, órgão das Nações Unidas, pela atuação através da União Internacional dos Radioamadores (IARU) que, por sua vez, tem presença na CISPR (Comissão Internacional de Radio Perturbações), órgão da IEC (Comissão Internacional de Eletrotécnica).

A ANATEL, seguindo a definição da “Radio Regulations – RR 1.56” da ITU, na Resolução2 449 define o serviço de radioamador como:

“O Radioamadorismo é o serviço de telecomunicações de interesse restrito, destinado ao treinamento próprio, intercomunicação e investigações técnicas, levadas a efeito por amadores, devidamente autorizados, interessados na radiotécnica unicamente a título pessoal e que não visem qualquer objetivo pecuniário ou comercial”. Fonte: http://www.anatel.gov.br/setorregulado/radioamadorismo

 

Representação nacional:

No BRASIL, os radioamadores são nacionalmente representados pela Liga de Amadores Brasileiros de Rádio Emissão (LABRE), associação civil de Utilidade Pública (Portaria nº 972, Min. Justiça, 22/8/2002; Integrante do Sistema Nacional de Defesa Civil, através da Rede Nacional de Emergência de Radioamadores-RENER, (Port. Nº 302 de 24/10/2001, Min. da Integração Nacional).

 

 

Áreas de atuação:

  1. Desenvolvimento tecnológico e inovações em inúmeras áreas, como por exemplo:
  • Comunicações de voz e dados usando ondas longas (MF), curtas (HF), VHF, UHF e micro-ondas (SHF).
  • Protocolos de comunicações como AX.25, APRS, PSK31, JT65, FT8, etc.
  • Processamento digital de sinais (DSP).
  • Rádios Definidos por Software (SDR).
  • Satélites educacionais e Comunicações espaciais.

Alguns exemplos de atuação de radioamadores em projetos de desenvolvimento tecnológico:

  • Estudos científicos sobre propagação ionosférica3.
  • Desenvolvimento de modos digitais para comunicações envolvendo sinais extremamente fracos. Excellence Award4 para o software WSJT-X em 2017, para modos digitais desenvolvido por Joe Taylor, K1JT, (Prêmio Nobel de Física).
  • Comunicação com sondas espaciais5.
  • Rastreamento e monitoramento de sinais de satélites educacionais em órbita lunar6.
  • Projeto e lançamento de satélites educacionais7.

 

  1. Comunicações emergenciais:

O radioamadorismo é mundialmente reconhecido por sua capacidade de prestação de serviços de comunicações durante situações emergenciais. Em catástrofes de grande escala como o furacão Katrina8 nos EUA, Fukushima9 no Japão, radioamadores prestaram inúmeros serviços de apoio às entidades governamentais nos momentos mais críticos.

No Brasil existe a RENER, Rede Nacional de Emergência de Radioamadores, (Port. Nº 302 de 24/10/2001, Min. da Integração Nacional); a REER-PR, Rede de Emergência do Estado do Paraná;  e a  ROER (Rede de Operações de Emergência de Radioamadores de Petrópolis, RJ;    Dentre várias emergências, citamos as operações de radioamadores nas catástrofes de março de 2011 (Morretes, Antonina e Guaratuba),  na da Região Serrana do RJ (este último, merecendo reconhecimento internacional através do Prêmio mundial quinquagenário Goldem Antena).

 O radioamadorismo foi considerado como uma reserva das Forças Armadas pelo DECRETO-LEI Nº 5.628, DE 29 DE JUNHO DE 1943.

 

  1. Atividade educativa na área tecnológica,

O radioamadorismo tem sido amplamente utilizado como ferramenta de apoio ao ensino das áreas STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática) por sua capacidade de atrair e reter o interesse dos estudantes nestes temas, e também por oferecer atividades "hands on" que complementam e consolidam o ensino das disciplinas ensinadas nas salas de aula. Exemplo disso são os programas ELANA da NASA10  e "Fly your satellite" da Agência Espacial Européia11

 

Dentre os projetos de satélites educacionais no Brasil (cubesats), os seguintes projetos tiveram apoio direto de radioamadores através do grupo LABRE/AMSAT-BR12:

  • Projeto NCBR-1 do INPE
  • Projeto SERPENS-1 da UnB
  • Projeto Ubatubasat da Escola Municipal Tancredo Neves em Ubatuba-SP
  • Projeto ITASAT-1 do ITA
  • Projeto NCBR-2 do INPE
  • Projeto Floripasat-1 da UFSC

Nos projetos acima, radioamadores têm contribuído voluntariamente com as seguintes atividades:

  1. Tecnologias dos sistemas de comunicação.
  2. Projetos de antenas.
  3. Projetos de transceptores embarcados no satélite.
  4. Projetos de estações de solo.
  5. Desenvolvimento de protocolos de comunicação.
  6. Desenvolvimento de softwares.
  7. Ensaios dos sistemas de comunicações.
  8. Alinhamento das missões com as normas e os regulamentos de telecomunicações.
  9. Auxílio na coordenação de frequências na União Internacional de Radioamadores (IARU).
  10. Processo de licenciamento de estações (espacial e solo) junto à Anatel.
  11. Coleta e formatação das informações necessárias para o registro do satélite na ITU.
  12. Monitoramento dos sinais do satélite no período pós-lançamento.
  13. Mobilização da comunidade de radioamadores no recebimento de sinais em situações quando o satélite passa por dificuldades técnicas.
  14. Minicursos e palestras sobre comunicações espaciais em seminários, workshops, e simpósios.
  1. Radioamadorismo competitivo,

 

A competição é uma popular vertente do radioamadorismo em todo o mundo. Várias competições, nacionais e internacionais povoam as frequências alocadas ao radioamadorismo, estimulando principalmente as mais novas gerações. No mundo ocorrem várias e importantes competições, que podem atingir mais de 20 mil participantes a nível global, enquanto no Brasil são bastante disputados, inclusive por radioamadores de fora, o conteste CVA - CONCURSO VERDE E AMARELO, comemorando o dia do Soldado (organizado pelo Clube de Radioamadores da Escola de Comunicações do Exército-ESCOM) e o conteste BNR - BATALHA NAVAL DO RIACHUELO (organizado pelos Grêmios de Comunicações da Escola Naval e do Colégio Naval).

 

O Brasil tem se destacado em competições internacionais, conquistando vários campeonatos mundiais em todas as categorias, mormente no CQ DX Marathon, onde detemos vários recordes mundiais e Sul Americanos. Vários grupos de DX e competições foram formados no Brasil, sendo o Grupo Araucária de DX (GADX) a pioneira com 35 anos de existência competitiva ininterrupta até hoje, inspirando a formação de outros Grupos no país e na América do Sul. 

 

Por fim, a competição é um grande motivador à pesquisa, resultando no desenvolvimento de softwares de alto desempenho, antenas de alto ganho, e modos de transmissão que permitem a decodificação de sinais abaixo do nível de ruídos.

 

  1. Radioescotismo

Segundo a Fundação13 "Boys Scouts of America", as escolas devem claramente assumir a liderança, e a responsabilidade primária pela educação e treinamento em STEM. Mas em muitos casos esses esforços podem não ser suficientes por inúmeras dificuldades. O Escotismo oferece atividades divertidas que complementam o aprendizado das áreas STEM em sala de aula. O radioamadorismo no escotismo representa mais um atrativo para os jovens e mais segurança nos acampamentos, incentivando-os às práticas científicas e estudos técnicos. Também se constitui em uma prática mundial.  São várias as atividades de Radioescotismo, dentro as quais destacam-se mundialmente o Jamboree no Ar (Jamboree On The Air-JOTA), e no Brasil o CQWS14, o Scout’s Field Day e a Patrulha Baden Powell.

 

  1. Apoio a órgãos normativos (COBEI) e regulatórios (INMETRO, ANATEL)

A LABRE, através do Grupo de Trabalho de Defesa Espectral (GDE), atua na área de Compatibilidade Eletromagnética (EMC), participando de comitês técnicos no COBEI e no INMETRO, e tem sido um incansável defensor da adoção, no Brasil, de normas de EMC adotadas pelo 1º Mundo para a garantia operacional das telecomunicações, e demais sistemas eletrônicos como informáticos, eletromédicos, Internet das Coisas (IoT) etc;  Os radioamadores são “Os Sentinelas do Espectro” que, com os seus equipamentos, identificam as interferências eletromagnéticas muito antes da sociedade, e têm alertado para as ameaças de tais interferências tanto o Inmetro quanto a Anatel.

 

Referências:

    1. http://life.itu.int/radioclub/ars.htm
    2. http://www.anatel.gov.br/legislacao/resolucoes/21-2006/93-resolucao-449
    3. http://hamsci.org/article/wa5frf-publishes-eclipse-and-fmt-results-qex
    4. http://www.arrl.org/news/yasme-foundation-announces-excellence-awards-and-supporting-grant
    5. http://www.arrl.org/news/radio-amateurs-are-key-players-in-effort-to-maneuver-36-year-old-nasa-spacecraft
    6. http://lilacsat.hit.edu.cn/wp/?page_id=844
    7. https://www.amsat.org/two-way-satellites/ao-73-funcube-1/
    8. http://www.arrl.org/news/array-of-amateur-radio-resources-readying-for-hurricane-harvey-response
    9. http://www.arrl.org/news/radio-amateurs-in-japan-provide-communications-support-after-earthquake
    10. https://www.nasa.gov/content/about-elana
    11. http://www.esa.int/Education/CubeSats_-_Fly_Your_Satellite/CubeSat_teams
    12. http://amsat-br.org
    13. https://filestore.scouting.org/filestore/pdf/110-130_WB.pdf
    14. http://www.radioescotismo.com.br